Capítulo 1
Era uma manhã de segunda - feira, Set havia acabado de
tomar café e estava se preparando para ir à escola. Mas, antes de tomar o
caminho do colégio, ele ia todas as manhãs visitar sua mãe no cemitério, a mãe
de Set havia morrido fazia 13 anos, a causa da sua morte? Simples, ela
havia sido morta por um vampiro, mas, o único que sabia e acreditava de verdade
nisso era Set.
Todos o tachavam de lunático, psicótico e às vezes seus
colegas o chamavam de “o louco”. Sua mãe
tinha apenas 26 anos quando morrera, Lúcio, seu pai, e sua mãe Elizabeth tinham
apenas 3 anos de casamento, seu pai ficara arrasado, e ao invés de descarregar
a culpa, o ódio, e a dor na bebida, descarregara no trabalho, ficara viciado em
trabalhar que não parava mais! Trabalhava 12 horas diárias, e às vezes até
fazia hora extra. Trabalhava tanto que a sua mãe, Anna, teve de vir cuidar de
Set por algum tempo. Sua vida era normal. Até quando Set fez 15 anos.
No dia de seu aniversário, Set estava lendo um livro no
pé do salgueiro que havia na frente de sua casa. E como de costume pegara no
sono. Neste sonho, ou melhor pesadelo,lembrara de tudo o que acontecera no dia
da morte de sua mãe,tudo.Desde a parte em que Set ouvira os gritos,até a parte
em que ambulância chegara.De repente a cena muda Set se vê dormindo neste mesmo
pé de salgueiro,só que com uma mudança: havia uma mulher ao seu lado,recitando
palavras em latim,imaginou Set. Havia um livro velho e desgastado em seu colo
ela lia e falava cada vez mais rápido e mais rápido quando,para! Tudo volta ao
normal e Set acorda ofegante.Seu futuro havia mudado,e a “bem feitora” era
aquela mulher.Set teria de encontrá-la.
Fazia 14 dias desde o ocorrido.Set como descrevi,estava
indo para o cemitério de sua mãe.Colhia flores no caminho como sempre e ia
colocá-las no túmulo de sua mãe e conversar com ela. Mas nesse dia o túmulo não
estava sem ninguém por perto,pois naquela ala,a única a ser visitada
diariamente era Elizabeth Smith ,havia uma mulher perto do túmulo,a mesma do
sonho de Set 14 dias antes!Ele ficara pasmo,pensara que a mulher misteriosa era
apenas fruto da sua imaginação,mas,ela definitivamente existia!Set ficou
paralisado por alguns minutos até que a mulher levantou os olhos e o viu.
Apenas acenou com a cabeça e saiu andando.Set,com toda a força,se empenhou a
dizer alguma coisa,havia muito a perguntar.Disse:
-Senhora,eu...eu...eu ,aonde a senhora conheceu a minha
mãe?
-Éramos amigas...
-De onde?
-De uma república.
-De o quê?
-Sinto muito,mas não posso dizer mais nada a respeito,só
te dou um aviso : não confie em qualquer um que demonstre compaixão...
Depois das palavras ditas,a mulher saiu andando e
desapareceu no meio das lápides.Set foi ao túmulo,e fez inúmeras perguntas à
sua mãe.Que dessa vez,não foram respondidas...
Set ainda atordoado com a mulher misteriosa dirigiu-se ao
colégio, estava no 1º ano do 2º grau, após a morte de sua mãe empenhara-se mais
nos estudos, e era o 2º melhor da classe, o 1º, ou melhor, ‘a’ 1ª da sala, era
Jane Bonnes a garota mais inteligente e bonita da classe, todos os outros
garotos a cobiçavam, mas ela ignorava todos, exceto Set que aparentava ser o
único a não demonstrar interesse nela. E não sentia nada mesmo,a mãe de Set
sempre o incentivara a se esforçar nos estudos,sem distrações,esse era o lema de
Set: sem distrações.Claro que ele sabia que ela era a mais bonita e a mais
inteligente,mas de um modo,sentia que não deveria se apaixonar.Não sabia por
qual motivo,mas,de um jeito sabia que deveria ignorar todas as paixões
possíveis.
Desde o dia do sonho,Set só pensava naquilo,noite e
dia,sonhava com isso todos os dias.Vou explicar o que era exatamente o
sonho.Quando Set tinha oito anos,em uma noite fria,seu pai havia saído para
trabalhar e Set ficara com sua mãe,que era dona de casa,uma hora,Set estava assistindo
desenho em seu quarto,quando de repente ouvira gritos na sala,e por impulso
saiu correndo pra lá e se deparou com a seguinte cena: sua mãe com uma estaca
na mão desafiando um ser com presas afiadíssimas que a desdenhava.Sua mãe
dizia:
-Saia daqui! Você não foi convidado!
-Ora minha cara,os tempos mudaram!
Do nada,sua mãe parara de gritar,tinha visto Set,o
vampiro seguiu a visão de Elizabeth e o viu.Elizabeth gritou e tentou acertar a
estaca no coração do vampiro,mas este fora mais rápido,e ela acabara acertando
em seu antebraço,o vampiro urrara de dor e no meio disso sugara todo o sangue
que ela possuía,depois disso ele olhou para Set e disse:
-Você vai esquecer tudo isso que viu,só lembrará que a
sua mãe foi atacada por um urso...
E a seguir saíra pela porta calmamente e disparara na
floresta,sem nem um pingo de remorso.Como a família Kesper morava perto de uma
floresta,não havia muitos vizinhos,e o mais perto estava à cerca de 2
quilômetros,mas Set sabia como usar o telefone e também sabia o número do
celular de seu pai. Ligara correndo para Lúcio e contara o que havia
acontecido, conforme o vampiro o havia instruído.Seu pai correu desesperado
para casa,assim que chega,vê sua amada estirada no chão com o tapete felpudo
absorvendo o pouco que restara de seu sangue,começa a chorar
constantemente,mas,por um segundo se passa na sua cabeça: “Set.Onde está meu
filho?”Procura-o pela casa inteira e o encontra em seu quarto desenhando. Como?
Imagina. Como Set passa por isso tudo e age normalmente? Não há sentido! Mas
não era a hora de matutar isso. Liga para a polícia. E para a ambulância. Os
dois carros chegam. Fazem as perguntas de praxe. Os paramédicos examinam o
corpo da vítima. Não há sinal de vida. É óbvio que todo seu sangue havia
desaparecido, misteriosamente...é claro, profissionais da medicina não
acreditam no sobrenatural.Recolhem o corpo. Levam ao IML. O processo todo se
segue. Enterram-na. Lúcio começa seu vício no emprego. A mãe dele cuida de Set.
Até que ele completa 15 anos.E tudo muda...
Depois da visita diária ao cemitério. E com a surpresa
incomum. Set está no colégio. Na última aula. No meio de uma prova de matemática.
Todo o seu aprendizado se esvai. Com tudo o que vinha acontecendo nos últimos
dias, não conseguia pensar em mais nada. Por mais que se esforçasse. Amava
estudar, mas, neste momento estava odiando. Queria estar lá fora. Caçando o ser
horroroso que matara sua mãe... Mas não. Pensou um lado de Set. Devo me
concentrar nos estudos. Quando estiver formado irei pensar nessas coisas de
vampiro. Se é que mesmo existissem. Mas o outro lado, tentador que só ele, dizia:
Ora,pra quê esperar se pode caçar e matar essa fera? Porque esperar? Vá.
Cace-a. Mate-a. Aí sim poderá fazer o que quiser! Set fica em dúvida. E o
relógio marca a hora de sair. O sinal toca. Set olha para sua prova: Em branco,
só com o nome, número, data e turma escritos...Estava encrencado. Sua avó
acabaria com suas pouquíssimas idas nas casas dos pouquíssimos amigos que
tinha. O professor recolhe sua prova. Encara-o. E diz:
-Em branco? Nada? Set,estou estranhando-o!
-Mas professor, há algumas complicações. Me esqueci de
tudo! Não estou mentindo! Dê-me mais uma chance!
-Está bem Set. Mas irei comunicar ao seu pai...
-Ele trabalha muito.
-À sua avó então.
-Não!
-Hum, por quê não? Há algum problema sério?
-Não é que...er...ora professor! Só me de mais uma prova
na próxima aula, prometo que a farei!
-Está bem, mas Dona Anna estará a par da situação. Disso
não posso poupá-lo.
-Professor!
-Me desculpe. São as regras, e regras...
-...têm de ser seguidas...sei disso...uh
-Que bom que sabe. Agora vá pra casa. Até a próxima aula.
E estude! Não haverá uma terceira chance!
-Obrigado professor. Até a próxima aula.
Set sai da sala de aula, de repente vê um vulto, pensa:
“Ah, não é nada, apenas fruto da minha imaginação confusa...”. Seria bom se
fosse assim Set, mas fruto da imaginação aquele ser não era...
Vulto de novo, só que do
outro lado, e de novo, só que atrás dele, Set se vira: nada, apenas o fundo do
corredor. Vulto mais uma vez, na porta de saída. Set se vira novamente: e nada!
Se esse “ser” existisse, gostava de brincar de confundir as meras mentes mortais...
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